Textos para reflexão nos Grupos de Vida

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Firme nas promessas (parte 2)

Em nossa última reflexão, abordamos o tema das promessas de Deus para nós. Fizemos uma diferenciação entre "promessas específicas" e "promessas gerais". As específicas, tratadas na meditação anterior, são aquelas que se referem a algo que Deus diz para certa(s) pessoa(s) em particular. Por exemplo, Deus disse a Abrão que Sarai iria dar à luz um filho. Essa promessa era apenas para Abrão e sua família; não para qualquer um de nós.

Agora, vamos refletir um pouco sobre o que chamamos de "promessas gerais". Em nossa opinião, tais promessas são muito mais frequentes e importantes do que as específicas. Mas, apesar disso, normalmente as pessoas não lhes dão a importância devida.

Primeiramente, deixem-me definir o que entendo por "promessas gerais". Promessas gerais são aquelas direcionadas a todos os que estão em Cristo. Nessa reflexão, vou separá-las em "Promessas propriamente ditas" e "Declarações de Deus a nosso respeito".

Promessas propriamente ditas

Esse tipo de promessa não precisa ser definido. Basta que vejamos alguns exemplos nas Escrituras:

  • "...E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos." (Mateus 28:20);
  • "Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver." (João 14:2-3);
  • "Porque a vontade de meu Pai é que todo o que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia". (João 6:40);
  • "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará." (Salmos 1:1-3);
  • "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito." (João 15:7)
  • "O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus." (Filipenses 4:19)
  • "Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor. E a oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E se houver cometido pecados, ele será perdoado." (Tiago 5:14-15).

Os textos negritados acima se referem a promessas de Deus para todos os seus filhos amados. Precisamos nos apegar a cada uma delas e esperar pacientemente pelo seu cumprimento. E, enquanto esperamos, nos alegramos por termos a certeza de que nenhuma palavra do Senhor cairá por terra. Enquanto esperamos, prosseguimos, serenos, na caminhada da nossa vida, fazendo a vontade de Deus e glorificando-o com nossas ações. Não há motivo para dúvida ou desespero. O cumprimento da promessa até pode tardar, mas não falhará.

Declarações de Deus a nosso respeito

A Bíblia declara muitas coisas a nosso respeito. Por exemplo, ela afirma que aqueles que estão em Cristo fazem parte da nova criação; para tais pessoas, as coisas velhas passaram e tudo se fez novo (2 Coríntios 5:17). Nós costumamos celebrar esse tipo de verdade em verso e prosa.

O problema é que há muitas afirmações bíblicas a nosso respeito que nós não vemos cumpridas em nossas vidas. Por exemplo, você está todo contente lendo a carta de Paulo aos Gálatas e, de repente, se depara com esse verso:

"Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos." (Gálatas 5:24)

Não me lembro de cantarmos nenhum cântico celebrando essa afirmação bíblica. A razão é simples: a maior parte dos crentes reconhece que não vive assim. Ao se depararem com uma declaração dessas, eles ficam confusos. Por um lado, eles consideram que pertencem a Cristo. Mas, por outro lado, não acham que já crucificaram a sua carne, com suas paixões e desejos.

O problema é que não entendemos que esse tipo de afirmação é semelhante a uma promessa de Deus para nós, da qual precisamos tomar posse pela fé. Essas declarações só se tornam verdade, para nós, quando passamos a crer nelas.

Quando nós queremos produzir algo, o que nós fazemos? Ora, nós trabalhamos, não é mesmo? Nos dedicamos com afinco para que esse algo venha a existir: uma obra de arte, um relatório, ou um texto como esse.

Mas Deus não age assim. Quando Ele quer trazer algo a existência, o que Ele faz? A Bíblia nos responde:

"Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível." (Hebreus 11:3)

Entendeu? Quando Deus quis que a luz existisse, ele disse: "Haja luz!". Por meio da sua Palavra, Deus traz as coisas à existência.

E mais: há ocasiões em que Deus traz coisas à existência simplesmente afirmando que essas coisas já existem. Nesses casos, cabe a nós crermos na Palavra de Deus, para que elas realmente se manifestem. Se Ele diz que já existe, então já existe para Ele, mesmo que ainda não vejamos. E logo existirá também para nós.

Houve um dia em que Deus olhou para o velho Abrão, que ainda não tinha nenhum filho, e disse: "Eu o constituí pai de muitas nações" (Gênesis 17:5). Paulo, falando exatamente acerca desse episódio, explica que Deus "chama à existência coisas que não existem, como se existissem" (Romanos 4:17). Deus chamou à existência a paternidade de Abrão, simplesmente afirmando que Abrão já era pai. E o apóstolo atribuiu grande importância ao comportamento de Abrão diante das palavras de Deus, aparentemente absurdas:

"Abraão, contra toda esperança, em esperança creu, tornando-se assim pai de muitas nações, como foi dito a seu respeito: 'Assim será a sua descendência'." (Romanos 4:18)

Portanto, amado irmão, se a Bíblia afirma que você crucificou a carne, com suas paixões e cobiças, então isso é verdade. Considere isso como verdade, mesmo que ainda não consiga vivê-la. Declare essa verdade repetidamente, em oração, crendo, várias vezes ao dia. A fé é o catalizador que consegue transformar essas declarações em vida.

"Então Jesus disse ao centurião: "Vá! Como você creu, assim lhe acontecerá! " Na mesma hora o seu servo foi curado." (Mateus 8:13)

Não se acanhe diante das afirmações de Deus a seu respeito. Aproprie-se delas, pela fé, e o próprio Deus, que habita em você, fará você experimentar essas verdades na sua vida. Note que são muitas:

Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo. (João 14:27)

Então, se você está angustiado, o que precisa fazer é se apropriar do que Jesus disse: você tem a paz de Cristo.

Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge. (1 João 5:18)

Muitos são os cristãos que têm sido atingidos por Satanás. Talvez o que lhes falte seja apropriarem-se da verdade declarada por Deus: o Maligno não os atinge.

Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna. (Romanos 6:22)

Acredite, meu irmão: vencer o pecado é possível. Aliás, é necessário. Mas você não vai conseguir fazer isso por suas próprias forças. Ao contrário, aproprie-se do que Deus já disse a seu respeito. Você foi libertado do pecado e se tornou um escravo da justiça.

As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. (João 10:27)

Infelizmente, a esmagadora maioria dos cristãos simplesmente não segue a voz de Jesus, porque não consegue escutá-lo. São crentes que nunca crescem; permanecem sempre como bebês espirituais, dependendo da palavra dos pastores ou dos profetas. Precisam urgentemente se apropriar do que Jesus já disse a seu respeito. Creia que você ouve a voz do Senhor e logo começará a ouvi-lo.

 


 

Perguntas para debate:

  1. Diante de todo o texto acima, o que você tem a dizer sobre aqueles cristãos que não conhecem as Sagradas Escrituras?
  2. Na seção "Promessas propriamente ditas", listamos inúmeras promessas gerais. Em boa parte delas, percebemos que Deus impõe certas condições para o cumprimento da promessa. Procure identificar essas condições. O que você acha disso?
  3. Depois de ler esse texto, como você interpreta essa declaração de Paulo: "Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim." (Gálatas 2:20)? Será que algum dia poderemos fazer a mesma afirmação do apóstolo, ou será muita pretensão nossa?
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Firme nas promessas (parte 1)

"Quem aqui tem promessas de Deus para serem cumpridas na sua vida?"

Essa é uma pergunta muito comum entre os cristãos. No último fim de semana, eu vivenciei dois extremos relacionados a esse assunto.

No sábado, enquanto almoçava com um casal de irmãos em Cristo, eles me contavam acerca de um conhecido deles que alimentava o sonho de ver cumpridas, na sua vida, algumas "promessas de Deus". Uma delas era a de que ele um dia iria morar numa cobertura de um certo bairro nobre. Atualmente, essa pessoa está passando por aperto financeiro.

No domingo, o amado pastor que conduzia o louvor conclamou os crentes a se apegarem às promessas de Deus para a sua vida, sem desanimar. Ele contou alguns testemunhos de como Deus sempre cumpre as suas promessas. O mais impactante foi o de um primo seu que gastou boa parte da vida totalmente distanciado de Deus, atolado em pecados. Mas a mãe desse rapaz sempre creu no que Deus lhe havia dito, que um dia ele seria pastor. Depois da morte da mãe, o rapaz acabou se convertendo e, realmente, tornou-se pastor. Então, cantamos a aquela antiga canção intitulada "Firme nas Promessas".

Creio que esse assunto costuma suscitar certa confusão entre os servos de Deus. Certamente, Deus promete muitas coisas aos seus servos. Mas, em muitas ocasiões, o povo espera que Deus cumpra coisas que, na verdade, Ele não prometeu. Enquanto isso, Deus está tentando ensinar ao seu povo algumas de suas verdadeiras promessas para ele, mas poucos lhe dão ouvidos.

Acho que o primeiro passo para esclarecer essa confusão é discernirmos que há ao menos dois tipos de promessas de Deus que podem afetar diretamente as nossas vidas: as promessas específicas e as gerais. Cada um desses tipos de promessa exige, de nossa parte, um determinado tipo de atitude.

Promessas específicas

Há ocasiões em que Deus fala diretamente a nós. Nessas ocasiões, ele pode nos prometer algumas coisas, tanto boas quanto más. Para isso, ele pode usar sonhos, visões, anjos, profetas ou, simplesmente, fazer brotar em nós a certeza de algo. Vejamos alguns exemplos nas Escrituras:

  • Em Gênesis 15, vemos o Senhor falando a Abrão numa visão, prometendo-lhe que sua mulher, Sarai, engravidaria;
  • Em Lucas 1, vemos o anjo Gabriel visitando Zacarias e lhe prometendo que sua mulher, Isabel, engravidaria;
  • Em Atos 21, Deus, por intermédio do profeta Ágabo, prometeu a Paulo que ele seria preso pelos judeus em Jerusalém e, depois, entregue aos gentios;
  • Em Atos 27, é narrada a história do naufrágio sofrido por Paulo. Depois de permanecerem muitos dias à deriva no Mar Mediterrâneo, um anjo do Senhor apareceu a Paulo e lhe disse para não ter medo, pois nenhum dos passageiros do navio morreria.

Nesses exemplos, percebemos Deus se comunicando com seus filhos, prometendo-lhes coisas de seu interesse. Com Abrão, Deus falou diretamente, por meio de uma visão. Com Zacarias e com Paulo, Deus falou por meio de um anjo. Também com Paulo, Deus falou por meio de um profeta.

Quando recebemos uma promessa desse tipo, devemos nos preocupar com duas coisas. A primeira é sabermos se foi realmente Deus quem falou. Depois que tivermos convicção de que foi Deus quem falou, nossa preocupação deverá ser a de manter a atitude correta diante da promessa.

Foi Deus quem falou?

O Senhor jamais nos prometerá algo que é contrário à Bíblia. Certa vez, ouvi sobre uma "cristã" que esperava o cumprimento de uma promessa estranha: ela iria se casar com o marido de outra mulher. Para isso, ela esperava que Deus matasse a mulher casada, fazendo com que seu marido se tornasse legalmente disponível (viúvo). E ela orava para que Deus acelerasse o processo! Ora, o mesmo Deus que nos ordenou "não matarás" e "não cobiçarás" jamais teria prometido uma coisa absurda como essas.

Havia outro irmão que estava tentando se aposentar por invalidez, em função de uma doença laboral. Então, numa reunião de oração, uma profetiza lhe falou que ele iria se aposentar e, depois, Deus o curaria milagrosamente, para que ele pudesse se dedicar integralmente à obra de Deus, custeado pelo INSS. Queridos, vejam que absurdo: será que Deus é um fraudador do INSS? Uma pessoa aposentada por invalidez, que tenha a felicidade de ser curada, tem a obrigação moral de procurar sair da condição de aposentado, voltando a trabalhar. Se permanece aposentado mesmo sem ser inválido, está roubando o sistema. E Deus nos ordenou: "não furtarás".

Visões

A necessária coerência com as Escrituras Sagradas é uma regra que vale, inclusive, para as visões. Paulo nos adverte:

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. (Gálatas 1:8)

Nosso coração e nossas emoções são facilmente ludibriados por Satanás. Não podemos acreditar em algo simplesmente porque sentimos fortes emoções. Nosso inimigo é perfeitamente capaz de aparecer como anjo de luz e produzir, em nós, arrepios, alegrias, lágrimas, êxtase etc. Portanto, estejamos atentos e vigilantes, sempre avaliando se o que ouvimos está de acordo com as Escrituras.

Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. (2 Coríntios 11:13-14)

Profecias

Quando você pergunta, numa reunião: "quantos têm promessas de Deus para suas vidas?" A maioria diz que tem. Penso que, ao menos no meio pentecostal, 90% desses se referem a promessas recebidas por meio de profetas.

Nesse caso, é muito simples sabermos se a profecia é de Deus ou não. A Bíblia nos ensina em Deuteronômio 18:21-22:

E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou?
Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.

Desconfie sempre das profecias que lhe mandam fazer alguma coisa. A Bíblia nos diz: "o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação." (1 Coríntios 14:3). Então, não faça nada do tipo comprar, vender, casar, parar de tomar remédio etc. movido por profecias. Não fique ansioso e nem perca o sono por causa de profecias. Apenas espere para ver o que dá.

Lembro-me de uma família que passava por terrível dificuldade financeira. Certo dia, receberam a visita de uma "profetiza" que lhes disse que o Senhor iria equacionar o problema. Falou-lhes que eles já podiam até ir a uma loja de móveis e fazer orçamento para trocar a mobília da casa, pois Deus iria abrir as janelas do céu. Infelizmente, a dificuldade financeira daquela família ainda durou muito tempo. A profecia era mentirosa.

Quando eu ainda morava de aluguel, uma mulher de Deus contou à minha esposa que teve uma visão, na qual estávamos assinando papeis relativos à compra de um imóvel. Minha mulher, como temos o costume de fazer, recebeu aquela palavra e esqueceu. Não me contou nada. No sábado seguinte, eu decidi fazer algo que jamais havia feito: olhar lançamentos imobiliários. Nós viemos a um bairro que estava surgindo e, naquele mesmo dia, efetuamos a compra de um imóvel ainda na planta. É nesse imóvel que moramos hoje. Algum tempo depois, minha esposa se lembrou da profecia. Aleluia! Essa experiência nos deixou muito alegres e edificados, por sabermos que Deus cuida de nós. A profecia cumpriu seu propósito.

Convicção interior

Eu penso que a maior dificuldade em saber se a promessa foi realmente feita por Deus acontece quando essa promessa surge na forma de uma certeza interior. Nessa caso, é necessária maturidade espiritual para aprender a reconhecer a voz de Deus. É muuuuuuito fácil confundir desejos ou temores pessoais com a voz de Deus. Eu fico preocupado quando vejo pessoas que, pouco tempo depois de sua conversão, começam a falar: "Deus me disse isso" ou "Deus me disse aquilo".

Amados, é necessário um período mais ou menos longo para que aprendamos a discernir a suave voz do nosso Mestre. Embora nascido e criado no meio evangélico, eu só tive a coragem de falar em nome de Deus depois dos 30 anos. É porque, ainda criança, eu aprendi versos como Ezequiel 13:6-10:

Viram vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O SENHOR disse; quando o SENHOR não os enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra.
Porventura não tivestes visão de vaidade, e não falastes adivinhação mentirosa, quando dissestes: O SENHOR diz, sendo que eu tal não falei?
Portanto assim diz o Senhor DEUS: Como tendes falado vaidade, e visto a mentira, portanto eis que eu sou contra vós, diz o Senhor DEUS.
E a minha mão será contra os profetas que vêem vaidade e que adivinham mentira; não estarão na congregação do meu povo, nem nos registros da casa de Israel se escreverão, nem entrarão na terra de Israel; e sabereis que eu sou o Senhor DEUS.

Bem, talvez você não precise esperar 30 anos, como eu, para aprender a discernir claramente a voz de Deus. Mas, com certeza, algum tempo será necessário. Então, se você estiver na dúvida quanto ao que está no seu coração, procure a ajuda de um irmão experiente.

OK, Deus prometeu. E agora?

Depois de muito meditar na promessa recebida, você finalmente está convencido de que foi Deus quem falou. O que fazer agora?

Abrão cometeu um erro lamentável. Recebeu a promessa de que seria pai, embora sua mulher, já idosa, fosse estéril. Então, aceitou o conselho de sua mulher e teve um filho com sua escrava, Hagar. Isso trouxe muitos problemas, tanto para Abraão quanto para os seus descendentes.

Não tente ajudar Deus. Se Ele prometeu, Ele cumprirá. Permaneça sóbrio. Faça como Paulo que, no meio de um naufrágio, à deriva no mar, tinha a capacidade de animar as pessoas, pois confiava na promessa de Deus, de que ninguém morreria.

Mais admirável ainda é a postura do apóstolo quando recebeu uma profecia nada agradável: a de que seria preso em Jerusalém. Isso não o abalou em nada. Os demais irmãos ficaram apavorados, tentando convencer o apóstolo a não ir àquela cidade. E qual foi a sua resposta?

Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. E, como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor. (Atos 21:13-14)

Cenas do próximo capítulo

Bem, já escrevi bastante e só falei das promessas específicas. No próximo texto, falarei das promessas gerais: aquelas que estão registradas nas Escrituras e valem para todos nós. Será que todas se cumprirão automaticamente? Precisamos fazer algo para que elas se cumpram? Falaremos sobre isso.

 


 

Para reflexão em grupo

  1. Você já teve promessas específicas de Deus que se cumpriram na sua vida? Como Deus lhe falou?
  2. Já houve situações em que você pensou ter uma promessa específica de Deus mas, depois, percebeu que não era uma promessa de Deus?
  3. Você está em dúvida acerca de algo que está no seu coração, sem saber se é uma promessa de Deus ou não? Compartilhe com seus irmãos.
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O perigo da calmaria

Não sejam idólatras, como alguns deles foram, conforme está escrito: "O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra". (1 Coríntios 10:7)

Nessa passagem, o apóstolo Paulo menciona a história do povo hebreu, em sua saga rumo à Terra Prometida. Durante mais de 400 anos, esse povo viveu sob forte opressão, escravizado no Egito. Até que Deus ouviu o seu clamor e providenciou a sua libertação. Por meio de Moisés, Deus operou milagres extraordinários e castigou os egípcios.

Pronto. O sofrimento acabara. A humilhação já não mais existia. Agora, o povo de Israel estaria livre para viver em plena comunhão com Deus, desfrutando do amor desse Deus que, tão graciosamente, o havia libertado. Mas..., não foi isso que aconteceu.

Enquanto Moisés estava no monte Sinai recebendo as Leis de Deus, que regulariam o relacionamento entre Deus e o povo de Israel, os israelitas logo procuraram outros deuses. Vejam:

Então o Senhor disse a Moisés: "Desça, porque o seu povo, que você tirou do Egito, corrompeu-se.

Muito depressa se desviaram daquilo que lhes ordenei e fizeram um ídolo em forma de bezerro, curvaram-se diante dele, ofereceram-lhe sacrifícios, e disseram: ‘Eis aí, ó Israel, os seus deuses que tiraram vocês do Egito’". (Êxodo 32:7-8)

Paulo, no versículo que lemos ao início, nos alerta para que não procedamos da mesma forma que os antigos israelitas. Nos períodos de tribulação, todos nos voltamos para Deus. Orações, jejuns, vigílias e campanhas se tornam a nossa rotina. Apesar das dificuldades, é nessas épocas que crescemos espiritualmente, nos submetemos à disciplina de Deus, corrigimos nossas condutas, nos santificamos.

Mas chega o dia em que a prova acaba e a tempestade dá lugar à calmaria. A tão sonhada bênção finalmente chega e o coração se enche de alegria. O crente se sente no direito de descançar um pouco: afinal, acabou de passar por um deserto terrível. As leituras bíblicas dão lugar ao ócio em frente à televisão: afinal, não é pecado ver TV. A frequência aos cultos cai. Os momentos de oração são trocados por longos períodos em frente ao Facebook-Orkut-Twiter, ou qualquer outra praga virtual, digo, rede social, olhando fotos e comentários banais de "amigos". Sem perceber, o cristão se torna um tremendo idólatra. Seus novos deuses são a preguiça, a futilidade, o materialismo e muitos outros. A carne se fortalece e passa a vencer o espírito. A maré mansa da idolatria dura até que surja um novo deserto. Então, o ciclo de busca a Deus é reiniciado.

A história da Igreja nos mostra que ela sempre é depurada nos momentos de perseguição e tribulação. É aí que ela floresce. Mas, por outro lado, ela tende a se corromper nos períodos de calmaria, exatamente como o que vivemos agora, no Brasil. Que Deus tenha piedade de nós!

Como romper com esse ciclo infernal? Como evitar a idolatria?

Respondo com uma única palavra: D I S C I P L I N A. Penso que nossa natureza decaída nos leva naturalmente ao pecado sempre que há calmaria. Então, a maneira de evitar a idolatria é fugir da calmaria, por meio da disciplina. Ela nos leva a manter nossa carne permanentemente "afligida", enfraquecida, mortificada. Só assim a vida de Cristo poderá permanecer aflorando.

Precisamos nos comprometer firmemente a manter nossa vida devocional perene durante a calmaria. Não podemos deixar que essa vida devocional caia a zero depois das tempestades. Estabeleça:

  • um número de capítulos da Bíblia que deverão ser lidos todos os dias;
  • um período de oração diário;
  • um período de jejum semanal;
  • envolva-se nas atividades da igreja.

Se esses compromissos forem assumidos em conjunto com outros irmãos, terão uma chance muito maior de serem cumpridos. "exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros..." (1 Tessalonicenses 5:11).

A razão da nossa alegria, descanso e paz não é o fim das tribulações. É o fato de permanecermos em Cristo, seja na tempestade, seja na bonança.

Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. (João 15:6)

Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo. (Efésios 6:13)

ninho no rochedo
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Juntos

Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados... Todos ficaram cheios do Espírito Santo... (Atos 2:1-4)

Ao subir ao céu, o Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém, esperando o cumprimento da promessa do Pai, de que seriam revestidos de poder mediante o batismo no Espírito Santo (Atos 1:4-8). Mas não vemos, nessas palavras do mestre, nenhuma recomendação para que os discípulos permanecessem juntos. Certamente, os discípulos poderiam ter preferido ficar cada um em sua própria casa, aguardando a vinda do Espírito Santo. Porém, algo os levou a permanecerem juntos.

Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus. (Atos 1:14)

E foi assim, quando estavam todos reunidos num mesmo lugar, que o Espírito veio sobre eles. Não veio quando estavam deitados, cada qual em seu leito, ou orando em suas respectivas casas. O Senhor os visitou quando estavam juntos.

Ao lermos as Escrituras, notamos que isso configura um padrão. Normalmente, visitações poderosas do Senhor acontecem quando o povo de Deus está reunido. Vejamos alguns exemplos.

Foi assim na dedicação do templo de Salomão:

E aconteceu que, quando eles uniformemente tocavam as trombetas, e cantavam, para fazerem ouvir uma só voz, bendizendo e louvando ao SENHOR; e levantando eles a voz com trombetas, címbalos, e outros instrumentos musicais, e louvando ao SENHOR, dizendo: Porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre, então a casa se encheu de uma nuvem, a saber, a casa do SENHOR; E os sacerdotes não podiam permanecer em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do SENHOR encheu a casa de Deus. (2 Crônicas 5:13-14)

O profeta Samuel avisou que Saul receberia uma visitação especial do Espírito Santo quando se aproximasse de um grupo de profetas. E assim aconteceu:

E, chegando eles ao outeiro, eis que um grupo de profetas lhes saiu ao encontro; e o Espírito de Deus se apoderou dele, e profetizou no meio deles. E aconteceu que, como todos os que antes o conheciam viram que ele profetizava com os profetas, então disse o povo, cada um ao seu companheiro: Que é o que sucedeu ao filho de Quis? Está também Saul entre os profetas? (1 Samuel 10:10-11)

Mais um exemplo. Deus mandou que o apóstolo Pedro fosse à casa do centurião Cornélio, para pregar-lhes o evangelho. Ao chegar na casa, havia muitos reunidos, esperando ouvi-lo. Pedro passou a lhes falar sobre Jesus Cristo.

E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. (Atos 10:44-45)

Particularmente, sempre que o Novo Testamento nos mostra o Espírito Santo batizando os cristãos, eles estão reunidos. Confira: Atos 2:1-4, 8:14-17, 10:44-45 e 19:1-6.

Eu não me lembro de nenhuma passagem, das Escrituras, onde alguém tenha sido batizado no Espírito Santo sozinho. Eu conheço alguns poucos testemunhos de irmãos que foram batizados no Espírito Santo sozinhos, em momentos solitários de busca ao Senhor. O mais notável exemplo que conheço é de A. W. Tozer. Mas, sem dúvida alguma, a experiência e as Escrituras nos mostram que isso é uma rara exceção.

Esses exemplos das Escrituras, entre outros que poderíamos citar, são evidência de que, quando o povo de Deus se reúne para buscá-lo e adorá-lo, o Espírito Santo se manifesta de modo especial. Indiscutivelmente, existe um tipo de visitação especial do Senhor que só acontece quando estamos reunidos.

Isso não significa que nosso Deus não nos abençoe em nossos momentos solitários com Ele. Muito pelo contrário. A Bíblia também nos ensina a cultivarmos nossos períodos de solitude na presença de Deus, como temos falado bastante em outros textos. Mas são dois tipos de visitação diferentes, e precisamos de ambas para o pleno desenvolvimento de nossa vida espiritual. Talvez por isso o Senhor nos ensinou que "...onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18:20).

Fico feliz ao ver, nas últimas semanas, um crescente mover do Espírito Santo em nossa congregação, a Igreja de Nova Vida do Guará. Há duas semanas atrás, enquanto adorávamos o Senhor na Igreja, tive a alegria de ver muitas pessoas sendo batizadas no Espírito Santo, incluindo minha filha, de 12 anos, que foi cheia do Espírito Santo e falou em línguas. Hoje, ela está num retiro de adolescentes da Igreja e, certamente, receberá bênçãos do Senhor que só se recebe nesse tipo de "ajuntamento santo". Foi num retiro desses, aos 16 anos de idade, que eu também fui batizado no Espírito Santo: uma experiência profunda que marcou definitivamente minha caminhada com Deus.

Tanto a história da Igreja quanto nossa experiência revelam que esses períodos de reavivamento não duram para sempre. Portanto, meu conselho é: quer receber a unção do alto? Então esteja no lugar certo, na hora certa. Não fique só. Não abra mão de buscar a Deus juntamente com seus irmãos. Quer que seus filhos tenham uma bagagem espiritual que lhes possibilite resistir às tentações desse mundo sedutor? Então exponha-os ao ambiente da Igreja. Faça como os cristãos de Atos:

E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. (Atos 2:42-44)

Quando retiramos nossos olhos do Senhor Jesus e começamos a olhar para os homens e mulheres na Igreja, sempre nos decepcionamos. Muitos acabam desanimando e abandonando a comunhão dos santos, optando por uma caminhada cristã solitária. Mas estão errados. Não é possível ser um membro do Corpo de Cristo distante dos outros membros. Sozinhos, não receberão do Senhor toda a vida, unção e amor de que precisam.

Observemos, sempre, a recomendação bíblia:

Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. (Hebreus 10:25)

Para terminar, deixo-lhes com as belas palavras do amado Kleber Lucas, cantadas na música "Há uma unção" (video abaixo).

 


 

Questões para discussão em grupo

  1. Conte aos irmãos como foi o seu batismo no Espírito Santo. Você estava sozinho ou reunido com outros irmãos?
  2. Houve alguma ocasião em que você deixou de ir a uma reunião e, depois, ficou sabendo que houve um tremendo mover do Espírito Santo que você perdeu?
  3. Se você participa das reuniões da Igreja há algum tempo, então já foi visitado de algum modo especial durante essas reuniões. Conte qual foi a mais especial delas?
  4. Como anda sua frequência aos cultos? Você tem se sentido de alguma forma desanimado com a Igreja? Compartilhe isso com seus irmãos.
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Irrepreensíveis

O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Tessalonicenses 5:23)

Com certeza, todos os cristãos estão acostumados a ouvir muitas pregações sobre santificação. Nosso Senhor vive dentro de cada um de nós, de modo que agora há duas vidas dentro de nosso corpo: a nossa velha vida humana, e a nova vida divina, eterna. Nossa caminhada cristã é um constante aprofundamento do processo de fazer com que, cada vez mais, paremos de viver a velha vida humana e passemos a viver a nova vida divina. Conseguimos isso à medida em que obtemos, por meio do Espírito Santo, a revelação de que essas palavras de Paulo já são, hoje mesmo, verdade na nossa vida:

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. (Gálatas 2:20)

Mas, embora a santificação seja um assunto bem comum, o verso que lemos no início nos mostra que esse processo deve alcançar todas as áreas do nosso ser: espírito, alma e corpo. A vigilância deve ser tripla. Isso nos revela que existe uma possibilidade preocupante. Alguém pode ser irrepreensível apenas no espírito, mas não na alma ou no corpo. Já pensaram nisso?

Para simplificar, vamos considerar que a alma e o espírito representam a parte imaterial de nosso ser: nosso intelecto, emoções, vontades e consciência.

Corpo irrepreensível

Muitos cristãos não olham com bons olhos os seus corpos. Consideram-nos como algo ruim, que os leva a pecar. É como se as coisas do corpo fossem ruins e as do espírito fossem boas. Como se fossem obrigados a passar por esta vida ansiosos para, um dia, se livrarem desses "corpos pecaminosos" e passarem o resto da eternidade como almas desencarnadas, vivendo num céu imaterial. Mas não é isso que a Bíblia ensina.

Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que
habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si
mesmos?
(1 Coríntios 6:19)

O seu corpo é um santuário do Espírito Santo, que nele habita. Entendeu? Não é no seu espírito que Ele habita, mas no seu C O R P O. Depois que morrermos, passaremos algum tempo existindo sem nossos corpos. Mas essa não será a nossa condição definitiva, por toda a eternidade. Na vinda do Senhor Jesus Cristo, todos seremos ressuscitados. Aleluia! A morte será vencida no final. Ela não nos separará para sempre dos nossos maravilhosos corpos. Te-los-emos de volta, transformados.

Por isso, Paulo nos ensina que devemos manter nossos corpos irrepreensíveis. Mas como? Muitos dirão sem titubear: evitando a imoralidade sexual: prostituição, adultério, fornicação. De fato, esse tipo de pecado é grave, como Paulo nos ensina:

Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo. (1 Coríntios 6:18)

Mas esse não é o único tipo de pecado que se comete no corpo. Na verdade, acho que temos pecado contra nossos corpos de diferentes maneiras. Deixe-me falar de alguns pecados que não costumam despertar nossa atenção.

Que dizer da gula? Você ouviu alguma pregação contra a gula, digamos, nos últimos 10 anos? Será que ela deixou de ser pecado? Não na minha Bíblia:

e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. (Gálatas 5:21)

"Tudo me é permitido", mas nem tudo convém. "Tudo me é permitido", mas eu não deixarei que nada domine. (1 Coríntios 6:12)

Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. (1 Coríntios 10:31)

Ora, todos sabemos o quanto a comilança desenfreada faz mal aos nossos corpos. Mas, ainda assim, a nossa sociedade ocidental e consumista tem sido excessivamente tolerante com a gula. Muitos são os cristãos que vão a restaurantes, comem até passar mal, e ainda acham que isso é bonito. Algum de vocês consegue imaginar Jesus fazendo isso? Será que nos empanturrarmos de comida glorifica a Deus?

A gula é, muitas vezes, a manifestação exterior de alguma doença da alma: ansiedade, tristeza, mágoa, medo. Mas quem se relaciona com o Senhor Jesus Cristo deve encontrar nEle a cura para tudo isso.

Acho, também, que uma certa dose de exercícios físicos é importante para mantermos nossos corpos irrepreensíveis. É verdade que Paulo declarou a Timóteo: "O exercício físico é de pouco proveito..." (1 Timóteo 4:8). Porém, não podemos nos esquecer que, naquela época, a alimentação das pessoas era bem menos calórica do que hoje. E também era comum elas andarem muitos kilômetros por dia. Naturalmente, se exercitavam muito mais do que hoje. As viagens de Paulo eram, em boa parte, feitas a pé! Hoje, não queremos nos levantar nem para trocar o canal da televisão...

Então, é necessário praticarmos, com moderação, algum exercício físico. Isso nos proporciona mais saúde e disposição, até mesmo para buscarmos a Deus. Mas é preciso cuidado para não fazermos da prática desportiva nossa religião, como muitos têm feito. A palavra chave é "moderação".

Alma e espírito irrepreensíveis

É no nosso interior que nascem todos os pecados.

Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte. (Tg 1:14-15, NVI)

Seria impossível, num pequeno texto como esse, abordar todas as nuances da complicada batalha que travamos contra o pecado. Então, vou dar apenas alguns conselhos que têm me ajudado bastante.

Vigie os pensamentos

Se nós aprendermos a vigiar os nossos pensamentos, pecaremos menos. Existe um exercício simples para fortalecer nosso controle sobre os pensamentos: a prática da oração contemplativa, como a que descrevemos no nosso texto O bronzeamento da alma.

Nesse tipo de oração, nós nos posicionamos pela fé diante do nosso Deus por alguns minutos, afastando da mente todos os pensamentos e imagens. A prática regular desse exercício nos ensina a observar atentamente tudo o que entra em nossa mente. É como se colocássemos uma sentinela à porta da mente, exigindo, de cada pensamento que passa, que se identifique e diga de onde veio e para onde vai. Com o tempo, vai ficando mais fácil identificar e expulsar o mal.

É difícil explicar porque a oração contemplativa produz esse "efeito colateral benéfico". Na verdade, não devemos praticá-la por causa de nenhum benefício que nos proporcione, mas apenas por causa de nosso amor a Deus. Porém, o fato é que ela nos transforma. Pratique-a, e descubra por si mesmo.

Medite nas Escrituras

Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. (Salmos 119:11)

Não precisa ler muito de cada vez, mas precisa ler sempre. Leia um capítulo por dia, lentamente, prestando muita atenção a cada palavra. Memorize versículos e repíta-os, de cor, ao longo do dia.

As palavras de Deus são espírito e vida. Elas fortalecem nosso homem interior e provocam mudança de dentro para fora. Os que se rendem à Bíblia são contínua,  profunda e misteriosamente transformados por ela.

Cuidado com as feridas da alma

Muitos são os cristãos que, apesar de terem uma vida religiosa exemplar, possuem profundas feridas na alma, resultantes de mágoas, invejas e rancores. Esse tipo de pecado é perigoso, porque aqueles que os cometem nem sempre percebem que estão pecando.

Suponhamos que um irmão, por um instante, tenha cobiçado a mulher do próximo. Ora, no instante seguinte ele estará se sentindo um lixo e pedindo perdão a Deus. Se o arrependimento for sincero, ele logo terá o perdão de Deus e seguirá de cabeça erguida.

Agora, suponha que um irmão seja acusado injustamente de ter tentado seduzir a mulher do seu próximo. Essa injustiça pode gerar um ressentimento duradouro no irmão injustiçado que, sem perceber, estará pecando. Sua alma se tornará repreensível. Temos que perdoar os que nos ofendem, mesmo que eles não se arrependam dos seus atos. Do contrário, estaremos em pecado.

Mantenha uma consciência limpa

Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura. (Hebreus 10:22, NVI)

Para quem não conhece o Deus da Bíblia, ter a consciência limpa significa ter certeza de que não fez nada de errado. Mas, segundo lemos em Hebreus, o significado é outro: é reconhecer, a todo momento, que, apesar de sermos pecadores indignos, somos perdoados por causa do sangue de Cristo derramado em nosso favor.

Então, nossa atitude diante do Pai deve ser esta: "Senhor, sei que eu não poderia estar aqui. Sei que não mereço e jamais merecerei. Mas, graças ao sangue de teu amado Filho, aqui estou e não pretendo sair daqui. Como é bom olhar para Ti..."

N U N C A confie em seus méritos para exigir algo de Deus. Se fizer isso, estará em grave pecado.

Brechas fechadas

Se houver mácula em nosso corpo, nossa alma ou nosso espírito, teremos uma brecha em nossa armadura, por onde poderemos ser atingidos pelos dardos inflamados do Inimigo. Feridas da alma, pecados não confessados, falta de disciplina para com o corpo e auto-confiança nas questões espirituais são alguns exemplos de brechas que precisam ser fechadas. Mantenha sua armadura impecável!

 


 

Para reflexão

  1. Por uma lado, as Escrituras nos asseguram que temos autoridade para pisarmos toda a força do inimigo sem que nada nos cause dano algum (Lucas 10:19). Por outro lado, elas nos dizem que precisamos vestir toda a armadura de Deus, para que possamos resistir no
    dia mau e, depois de termos feito tudo, permanecermos inabaláveis (Efésios 6:11-13). Discutam sobre essa aparente contradição.
  2. Você acha que tem dado a devida importância à santificação do seu corpo? Compartilhe suas dificuldades com o Grupo e peça-lhe sugestões sobre como pode melhorar essa área da sua vida cristã.
  3. Quando um cristão comete um grave pecado, isso é sinal de que ele já vinha pecando em pensamentos há muito tempo. Você tem tido dificuldade para se livrar de algum pensamento maligno, pecaminoso? Então, no momento do pastoreio mútuo, procure uma pessoa de confiança no seu Grupo e confesse a ele(a). Lembre-se: "Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos
    outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz."

    (Tiago 5:16)
  4. Você acha que existe uma brecha em sua armadura por onde você tem sido atingido? Peça a seus irmãos que o ajudem em oração para que Deus mostre a brecha. Quando isso acontecer, arrependa-se e feche-a.
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Aprendendo com Salomão

Nestes dias, tenho meditado no livro de Eclesiastes: belo, confuso, desafiador. O autor, tradicionalmente aceito como o rei Salomão, narra o seu esforço de "compreender a sabedoria, bem como a loucura e a insensatez". Mas, depois de tanto buscar explicações para os fatos da vida, o autor acaba concluindo que elas nem sempre existem. Por isso, conclui que todo o seu esforço foi tão inútil quanto "correr atrás do vento".

Certamente, meditar nesse livro é um ótimo exercício para todo cristão, que dele poderá retirar muitos ensinamentos preciosos. Cada vez que o leio, alguns deles sobressaem. Agora, compartilho com vocês os que se destacaram nesta última visita a Eclesiastes.

Alegre-se com os presentes que Deus dá

O ser humano tem uma tendência fortíssima a se tornar infeliz pelo que não tem ou pelo que perde. Isso começa a se manifestar na infância e continua ao longo da vida. É exatamente isso que leva o homem a trabalhar cada vez mais, para conseguir cada vez mais recursos, com o intuito de conquistar as coisas que ainda não tem.

Salomão identifica pelo menos duas tolices nesse comportamento. Primeiro, em sua busca frenética por conquistas materiais, o homem se torna incapaz de curtir a vida, que se torna um terrível enfado. Segundo, ele se esfola de tanto trabalhar, esquecendo que vai morrer um dia. "O homem sai nu do ventre de sua mãe, e como vem, assim vai. De todo o trabalho em que se esforçou, nada levará consigo" (Ec 5:15). No máximo, ele poderá deixar isso para um herdeiro, mas não há nenhuma garantia de que o herdeiro fará bom uso da herança. Vejam esses versos do 2º capítulo:

17  Por isso desprezei a vida, pois o trabalho que se faz debaixo do sol pareceu-me muito pesado. Tudo era inútil, era correr atrás do vento.
18  Desprezei todas as coisas pelas quais eu tanto me esforçara debaixo do sol, pois terei que deixá-las para aquele que me suceder.
19  E quem pode dizer se ele será sábio ou tolo? Contudo, terá domínio sobre tudo o que realizei com o meu trabalho e com a minha sabedoria debaixo do sol. Isso também não faz sentido.
20  Cheguei ao ponto de me desesperar por causa de todo o trabalho em que tanto me esforcei debaixo do sol.
21  Pois um homem pode realizar o seu trabalho com sabedoria, conhecimento e habilidade, mas terá que deixar tudo o que possui como herança para alguém que não se esforçou por aquilo. Isso também é um absurdo e uma grande injustiça.
22  Que proveito tem um homem de todo o esforço e de toda a ansiedade com que trabalha debaixo do sol?
23  Durante toda a sua vida, seu trabalho não passa de dor e tristeza; mesmo à noite a sua mente não descansa. Isso também é absurdo.
24  Para o homem não existe nada melhor do que comer, beber e encontrar prazer em seu trabalho. E vi que isso também vem da mão de Deus."

Nas férias, sempre viajo de carro com minha família. Mas, para mim, essa viagem é um verdadeiro suplício. Eu detesto viajar de carro! Durante a viagem, fico ansioso para chegar rápido ao destino. Quando encontro, no caminho, um comboio de caminhões vagarosos, que me impedem de correr, fico aflito. Assim que consigo ultrapassá-los, me sinto aliviado. Mas a alegria dura pouco, pois sei que logo chegarei a outro comboio. Para mim, as férias só começam, de verdade, quando chego a meu destino.

Diferentemente, conheço pessoas que curtem cada minuto da viagem. Apreciam a paisagem, param para comprar bobagens na beira da estrada, descobrem bons restaurantes pelo caminho. Para elas, as férias começam quando entram no carro.

É isso que Salomão está nos ensinando. Nossa vida é uma grande viagem, que começa no pó e no pó termina (Ec 3:20). Então, precisamos aprender a nos alegrar durante o percurso. Há muitos crentes que passam pela vida apenas esperando chegar ao seu destino final: o céu. Mas isso é um erro. O Senhor Jesus nos deu a sua paz, para que dela desfrutemos desde já.

Um homem pode ter cem filhos e viver muitos anos. No entanto, se não desfrutar as coisas boas da vida, digo que uma criança que nasce morta e nem recebe um enterro digno, tem melhor sorte do que ele. (Ec 6:3)

Se não conseguimos enxergar as coisas belas e simples da vida e nos alegrar com elas, é porque estamos espiritualmente doentes. Como dizia meu avô, o saudoso Pastor João Francisco de Assis e Figueiredo:

A fé nos coloca em sintonia com o universo. (...) Os céus e a terra, a natureza e seus variados seres, militam contra a descrença. A flor que desabrocha, a abelha que zumbe, o colibri que oscula, a borboleta que baila, a criança que brinca e a estrela que cintila, proclamam e exaltam a glória de Deus. Os caminhos misteriosos dos ciclos migratórios das aves, da reprodução dos peixes, do aprendizado dos pássaros, falam de uma inteligência que ilumina e motiva todo esse complexo de mistérios e maravihas.

A riqueza nem sempre é bênção

Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido. (Ec 5:10)

Eu trabalhava numa seção onde uma colega de trabalho vivia triste por ser obrigada a deixar seu filho com a avó. Segundo ela, não havia alternativa, já que ela precisava trabalhar. Ocorre que o seu marido era um servidor público bem remunerado. Eles moravam num apartamento de 270m² no Setor Sudoeste (um bairro nobre de Brasília) e costumavam passar férias na Disney. Então, é evidente que minha colega não precisava trabalhar. Deus já lhe havia dado condições para que ela pudesse estar presente na educação de seu filho. A situação dela era bem diferente da de muitas outras mulheres, que realmente precisam trabalhar, já que a remuneração do marido não é suficiente para uma vida digna.

Salomão completa:

11  Quando aumentam os bens, também aumentam os que os consomem. E que benefício trazem os bens a quem os possui, senão dar um pouco de alegria aos seus olhos?
12  O sono do trabalhador é ameno, quer coma pouco quer coma muito, mas a fartura de um homem rico não lhe dá tranqüilidade para dormir.
13  Há um mal terrível que vi debaixo do sol: riquezas acumuladas para infelicidade do seu possuidor. (Ec 5:11-13)

Um dos problemas que a Igreja atual tem enfrentado é a indisponibilidade de seus membros. Os irmãos mais capacitados, que poderiam fazer grande diferença na vida da Igreja, ganhando almas e ajuntando tesouros no céu, "não têm tempo" para fazer a obra de Deus. Estão estudando, trabalhando, ambicionando, correndo atrás do vento. Ao que parece, estão tentando servir a Deus e a Mamom. Além de Eclesiastes, deveriam também meditar nas palavras de Cristo e de Paulo:

20  Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
21  Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus. (Lc 12:20-21)

7  pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar;
8  por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos.
9  Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição,
10  pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos. (1 Tm 6:7-10)

Há muitas coisas sem explicação. E daí?

percebi tudo o que Deus tem feito. Ninguém é capaz de entender o que se faz debaixo do sol. Por mais que se esforce para descobrir o sentido das coisas, o homem não o encontrará. O sábio pode até afirmar que entende, mas, na realidade, não o consegue encontrar. (Ec 8:17)

Uma outra tendência do ser humano é a de procurar explicação para tudo. Quando consegue explicar a razão de algo, o homem desfruta da sensação de estar no controle da situação. Podemos até não ter a solução para o nosso problema. Mas se conseguirmos uma boa explicação, já ficamos consolados, não é mesmo?

Veja, por exemplo, os que acreditam em carma. Quando passam por um problema, logo surge um guia que lhe diz para aceitar seu carma, já que a luta é consequência dos erros cometidos em vidas passadas. Ora, do ponto de vista bíblico, isso é uma imensa bobagem. Mas essa bobagem é suficiente para manter o sujeito resignado com seu "merecido" destino. Ele não se livra do problema, mas a explicação lhe fornece o consolo necessário para suportá-lo.

Pois bem: Salomão fritou seus neurônios procurando explicações para tudo. Ao final, veja suas conclusões:

"Nesta vida sem sentido eu já vi de tudo: um justo que morreu apesar da sua justiça, e um ímpio que teve vida longa apesar da sua impiedade." (Ec 7:15)

"Refleti nisso tudo e cheguei à conclusão de que os justos e os sábios, e aquilo que eles fazem, estão nas mãos de Deus. O que os espera, se amor ou ódio, ninguém sabe." (Ec 9:1)

"Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: Os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos." (Ec 9:11)

Para as pessoas que não conhecem o Deus verdadeiro, esse tipo de explicação é inaceitável. Talvez, elas pensem assim: "Como um Deus justo pode nos deixar viver com tanta insegurança? Quer dizer que, ainda que lhe sejamos fieis, não teremos nenhuma garantia de vida tranquila? Tem que haver uma explicação razoável para tudo, ora bolas!!!"

A proposta de Deus para o homem não é lhe dar uma vida tranquila neste nosso corpo carnal. A proposta de Deus é que passemos a existir nEle, em completa dependência dEle, nos tornando um só espírito com Ele, por toda a eternidade, começando agora. Para conseguirmos experimentar essa existência em Deus desde já, precisamos, progressivamente, nos desapegar da nossa existência independente.

Quanto mais nos apegamos a Deus, mais somos impregnados da sua natureza, que é eterna. Quanto mais fixamos nossos olhos em Cristo, mais compreendemos que nossa velha vida carnal se encerrou naquela cruz, para que, nEle, pudéssemos viver a nova vida, eterna. Então, nossos pensamentos passam a se ocupar das coisas do alto.

Não gaste seu tempo tentando entender as desventuras da vida. Salomão, que era bem mais sábio que você, tentou e não conseguiu. Em vez disso, entregue rapidamente suas ansiedades para Deus e, sem perder tempo, continue olhando para Ele, confiando em Seu cuidado por você e se alegrando com aquilo que Ele te deu: pessoas amadas, seu trabalho, seu sustento. Quanto aos problemas que surgem em sua caminhada terrena, receba-os como oportunidade de fazer morrer a velha natureza, para que a natureza divina se apodere de nosso ser.

Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquesas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte. (2 Co 2:10)

Como disse o nosso Pastor Hilton em recente pregação, Deus não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte. Ele prometeu que estaria conosco quando passássemos por ele.

 


 

Para reflexão

  1. Tente relacionar todos os presentes que Deus lhe deu, dos quais você pode desfrutar hoje mesmo. Você tem se alegrado com eles? Ou tem sido dominado pela sensação de não ter recebido outros presentes?

  2. Você consegue admirar a beleza da criação? Que tal dedicar um pouco mais de tempo, em sua vida corrida, para fazer isso?

  3. Você tem se dedicado a ajuntar tesouros no céu? Sua participação no Grupo de Vida pode ser entendida como um investimento no céu, ou você tem apenas desfrutado da companhia de amigos?

  4. Você tem se sentido aflito por não conseguir explicar a razão de alguma luta pela qual está passando? Você extrai deste texto algum ensinamento que pode ajudá-lo?
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Muitas escolhas

Eu lhes dou a oportunidade de escolherem entre a vida e a morte, entre a vida e a maldição. Escolham a vida. (Deuteronômio 30:19, NTLH)

Exercer a liberdade de opinião, de selecionar, de mostrar preferência, requer maturidade, calma e sabedoria, porque quando dizemos “sim” para uma coisa, estamos dizendo “não” para centenas de outras. A liberdade de escolha foi uma das grandes dádivas que Deus concedeu ao ser humano. Mesmo conhecendo as implicações disso, Ele preferiu correr o risco a ter um exército de robôs. Mesmo que alguns tenham feito escolhas desastrosas, Ele ainda continua nos dando essa liberdade de decisão.

Quando há muitos fatores e possibilidades conflitantes e as escolhas terão impacto sobre nosso amanhã, nosso futuro, gostaríamos de saber qual é o melhor caminho para chegar o mais perto possível da melhor escolha.

Muita gente é impetuosa e não quer passar por esse processo de pesar e medir
as consequências.

Não existem passos nem regras que, se seguidos, nos levarão invariavelmente a acertar o alvo. Mas podemos nos valer de alguns elementos para diminuir a margem de erro:

  1. Lembre-se da Bíblia como fonte de orientação. Pergunte-se: “Há algum texto bíblico que lança luz sobre a escolha que quero fazer? Alguma promessa específica de Deus?”
  2. Converse com um amigo ou conselheiro cristão, alguém que esteja do lado de fora do processo, que com isenção de ânimo ou opinião possa lhe dizer com lealdade o que é melhor. Quem sabe ele já enfrentou a mesma situação e possa lhe ajudar.
  3. Nesse processo, não minta para si mesmo. Pergunte-se: “O que estou querendo? Impressionar alguém com essa escolha (meus superiores, ou colegas de trabalho, parentes, professores)? Esse é o sonho da minha vida?”
  4. Ore a Deus para que lhe dê sabedoria e discernimento para a melhor escolha.
  5. Considere os prós e os contras de cada opção. Quais serão as consequências a  curto e a longo prazo? Quem vai ser afetado pela sua decisão?

O dia de hoje poderá terminar com débito ou crédito em sua conta de investimentos futuros, dependendo de suas escolhas. Deus estará torcendo e desejando que você acerte em suas escolhas.

A promessa é:

Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: ‘Este é o caminho; siga-o’ (Is 30:21).

 

Autor: Pastor José Maria Barbosa Silva, da Igreja Adventista do 7º Dia. Reproduzido do site da Casa Publicadora Brasileira.

 


Para reflexão nos grupos...

  1. Todos nós certamente nos lembramos de algumas decisões tomadas no passado, das quais nos arrependemos. Nessa decisão, quais dos 5 conselhos acima você não seguiu?
  2. Imagine que você está prestes a tomar uma decisão importante e pede conselho a um amigo cristão. Ele, com muita lealdade e imparcialidade, te mostra que você está prestes a fazer uma imensa bobagem. Você fica agradecido ou com raiva?
  3. Agora, imagine que você é o conselheiro: você normalmente fala a verdade para quem pede sua opinião, ou prefere falar o que a pessoa quer ouvir? Compare a sua atitude com Provérbios 27:5-6.
  4. Antes de tomar uma decisão importante, deveríamos sempre buscar saber qual é a vontade de Deus. Mas muitos de nós não conseguimos discernir a vontade de Deus. (a) Houve alguma vez em que você tomou uma decisão, imaginando ser essa a vontade de Deus, e depois percebeu que não era? (b) Houve alguma vez em que Deus te disse qual era a vontade dEle, mas você não aceitou e acabou tomando a direção oposta?
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Cuidado com os "chiboletes"

Chiboletes?

"5  Os gileaditas tomaram as passagens do Jordão que conduziam a Efraim. Sempre que um fugitivo de Efraim dizia: "Deixem-me atravessar", os homens de Gileade perguntavam: "Você é efraimita?" Se respondesse que não,
6  diziam "Então diga: ‘Chibolete’ ". Se ele dissesse: "Sibolete", sem conseguir pronunciar corretamente a palavra, prendiam-no e matavam-no no lugar de passagem do Jordão. Quarenta e dois mil efraimitas foram mortos naquela ocasião." (Juízes 12:5-6)

Essa é uma das passagens que considero mais tristes na Bíblia. Para entendê-la melhor, leiam os capítulos 11 e 12 do livro de Juízes.

As doze tribos de Israel haviam saído do Egito, passado 40 anos vagando no deserto e, finalmente, depois de muitas guerras, conseguiram tomar posse da Terra Prometida. Cada tribo ocupou seu território e, com o passar do tempo, elas foram perdendo o contato com as demais. Os sotaques tornaram-se diferentes. É como se cada tribo tivesse se tornado um país diferente e, em certas ocasiões, consideravam os israelitas das outras tribos como estrangeiros e até como inimigos. Eles passaram a realçar as diferenças entre eles, esquecendo-se de tudo o que tinham em comum: os ancestrais, a língua, os inimigos e, principalmente, o mesmo Deus.

A palavra "chibolete" significava, simplesmente, "ramo" ou "espiga". Não havia nada relevante ou ofensivo em seu significado. Ela foi usada apenas para identificar os da tribo de Efraim, simplesmente porque eles não conseguiam pronunciá-la da mesma forma que os gileaditas, da tribo de Manassés, devido ao sotaque. "Chibolete", uma palavra sem nenhuma importância, foi a senha utilizada para assassinar 42 mil irmãos. É como se nós, de Brasília, resolvêssemos matar os goianos que, ao tentar falar "porta", acabam falando "poita". Um absurdo!

Ao lermos essa história, ficamos estarrecidos. Mas, se pensarmos bem na realidade da Igreja cristã, veremos que muitos "chiboletes" vêm sendo usados para esquartejar o Corpo de Cristo. É só parar para contar quantas denominações evangélicas existem no mundo. Alguém já contou mais de duas mil. Curiosamente, sabem o que elas têm em comum? Cada qual considera que só ela sabe interpretar a Bíblia corretamente. Mas, quando paramos para analisar quais foram as interpretações bíblicas peculiares que levaram homens de Deus a criar essas denominações, percebemos que tudo não passa de "chiboletes": coisas irrelevantes, utilizadas apenas para separar. Por exemplo:

  • alguns acham que é certo batizar crianças, outros que é errado;
  • alguns acham que o certo é batizar por imersão, outros preferem aspersão;
  • alguns acham que, entre a morte e a ressurreição, a alma fica dormindo. Outros acham que ela vai para um paraíso;
  • alguns acham que o universo foi criado em 6 dias de 24 horas. Outros acham que esse período, citado na Bíblia, é uma linguagem figurada;
  • alguns acham que o arrebatamento é antes da grande tribulação. Outros acham que é depois. Boa parte acha que não haverá arrebatamento. Outros pensam que a tribulação já passou e que nós já estamos no milênio. E por aí vai...

Haja "chibolete"! Qualquer mínima divergência de interpretação bíblica, sem nenhuma importância vital, é motivo pra abandonar a comunhão e frustrar o sonho de Jesus Cristo:

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. João 17:21

E o pior: não só as divergências doutrinárias fúteis são usadas como chiboletes, mas também uma futilidade ainda maior: a disputa pelo poder político e econômico. Talvez muitos líderes evangélicos discordem de mim; mas, na minha opinião, todas as divisões que aconteceram na Igreja cristã posteriores ao século VII DC podem ser atribuídas a "chiboletes" e disputas de poder; normalmente, uma combinação de ambos.

Talvez você me pergunte: mas, será que todas as divergências doutrinárias são meros "chiboletes"? Minha resposta é NÃO. Há certas doutrinas que realmente são fronteiras necessárias para distinguir entre cristãos e não-cristãos. Todavia, estou cada vez mais convencido que esse conjunto de doutrinas é muito, muito pequeno. Ao final dessa reflexão, apresento a minha resposta pessoal para essa pergunta.

Os "chiboletes" na Igreja Primitiva

Quando Paulo escreveu aos cristãos de Roma, ele alertou para alguns "chiboletes" doutrinários (Romanos 14). Havia cristãos que acreditavam ser pecado comer carne, pois elas eram sacrificadas aos ídolos antes mesmo de serem vendidas nos açougues. Outros, que eram mais fortes na fé, não estavam nem aí e "caíam de boca" na picanha. Os que não comiam julgavam os "carnívoros". Estes, por sua vez, desprezavam os "vegetarianos". Neste caso, o "chibolete" era comer carne.

Prosseguindo, Paulo fala de outro "chibolete": considerar que alguns dias eram mais sagrados do que outros. Os que consideravam que todos os dias são iguais desprezavam os achavam certos dias mais sagrados. Já estes julgavam os que não guardavam dias sagrados.

Vejam a solução que Paulo deu para o problema, no capítulo 14 de Romanos:

  1. ninguém deveria tentar convencer o outro de que a sua opinião era a certa. "Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente." (v. 5);
  2. ninguém deveria julgar ou desprezar o seu irmão em função de seu "sotaque doutrinário", pois "cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus" (v. 12);
  3. cada um deveria fazer "o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão" (v. 13);
  4. para preservar a unidade do Corpo de Cristo, todos deveriam estar dispostos a abrir mão de convicções irrelevantes ("chiboletes"): "seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus" (v. 22).

A Bíblia nos mostra que havia, na vida da Igreja do tempo dos apóstolos, relevantes divergências doutrinárias. Os cristãos judeus, da palestina, criam na salvação pela fé (Gálatas 2:15-16). Mas, mesmo assim, insistiam em permanecer fieis às leis alimentares e religiosas do judaísmo. Isso incomodou muito o apóstolo Paulo, pois ele entendeu que a atitude dos irmãos judeus era um grave atentado à doutrina da justificação pela fé, tão cara ao apóstolo dos gentios. Essa divergência acabou levando Paulo a discutir com Pedro (Gálatas 2:11-14).

Embora a Bíblia relate o protesto de Paulo contra o comportamento dos irmãos judeus, ela não diz se esse protesto levou a mudanças nos hábitos desses irmãos. Penso que não levou. Mesmo assim, ainda que entendesse que os judeus estavam enfraquecendo a crença na justificação pela fé, Paulo não desistiu de comungar com eles. Ao contrário, as Escrituras nos mostram o apóstolo recolhendo donativos entre os gentios para levá-los aos irmãos de Israel. Apesar das divergências Paulo ainda considerava que os gentios eram devedores aos judeus, por terem participado das bênçãos espirituais deles (Romanos 15:27). Afinal, talvez o apóstolo raciocinasse como o notável teólogo anglicano Richard Hooker (1554-1600):

o homem não é justificado por crer na justificação pela fé, mas por crer em Jesus Cristo.

Há outros exemplos das Escrituras que nos mostram que havia cristãos com crenças bem defeituosas. Apolo era um judeu convertido que pregava o evangelho com grande autoridade, embora não fosse batizado, pois só conhecia o batismo de João (Atos 18:24-28). Os discípulos de Cristo que Paulo encontrou em Éfeso, que, além de não serem batizados, também não sabiam da existência do Espírito Santo (Atos 19:1-6). Mas, nesses dois casos, os cristãos que possuíam mais entendimento trataram de se aproximar, abençoar e esclarecer os mais fracos, que acabaram se tornando bênção para o Corpo de Cristo. Hoje, muitos optariam por excluí-los da comunhão.

Os "chiboletes" e os Grupos de Vida

Os Grupos de Vida são a linha de frente da Igreja. Nas suas reuniões, é comum aparecerem cristãos de diferentes confissões, com diferentes "sotaques doutrinários", com suas próprias manias. Tenham cuidado para não transformar essas peculiaridades em "chiboletes" que acabarão afastando esses irmãos da comunhão. Tenham sempre em mente o lema proposto pelo teólogo luterano Rupertus Meldenius (1582-1651):

"Nas coisas essenciais, unidade. Nas não-essenciais (duvidosas), liberdade. Em tudo, o amor."

Mas, quais são as coisas realmente essenciais? Essa não é uma pergunta fácil. Há muitas respostas possíveis. Quanto mais estudo sobre o assunto, mais me convenço de que as coisas essenciais são bem poucas. Querem saber a minha resposta atual para esta pergunta? Leiam a página "Em que cremos", do nosso site.

 


Para refletirmos

  1. Em 1 Coríntios 3:1-6, vemos Paulo tratando o problema dos "chiboletes" na igreja em Corinto. Leiam o texto e conversem sobre o assunto.
  2. Para nos dedicarmos à comunhão com outros cristãos, precisamos nos esforçar para minimizar as diferenças doutrinárias. Isso quer dizer que precisamos abrir mão de nossas próprias convicções doutrinárias? Ou seja, temos que desistir de nossa própria interpretação das Escrituras?
  3. Com base em 1 Coríntios 11:18-20, que tipo de Igreja é a melhor: aquela em que todos concordam com tudo, ou aquela em que há discordância?
  4. Infelizmente, por mais tolerantes que sejamos, não podemos comungar com todas as pessoas que se declaram "cristãs". Nem todas aceitam o credo Niceno-Constantinopolitano, que mencionamos na página "Em que cremos". Com base nesse credo, você consegue ver quais desses "cristãos" somos obrigados a excluir da comunhão?

Se tiverem dúvidas, usem os comentários abaixo. Terei prazer em responder.

 

Flávio Cardoso
Pastor da Igreja de Nova Vida do Guará

imagem de Flávio Cardoso

O esconderijo do Altíssimo

15  O servo do homem de Deus levantou-se bem cedo pela manhã e, quando saía, viu que uma tropa com cavalos e carros de guerra havia cercado a cidade. Então ele exclamou: "Ah, meu senhor! O que faremos?"
16  O profeta respondeu: "Não tenha medo. Aqueles que estão conosco são mais numerosos do que eles". (2 Re 6:15-16)

O rei da Síria estava furioso. Ele vivia armando planos para atacar Israel, mas Deus revelava tudo ao profeta Eliseu. Com isso, os israelitas nunca eram surpreendidos. Por isso, aquele rei mandou uma grande tropa com cavalos e carros de guerra para capturarem Eliseu. Chegaram à noite e cercaram a cidade.

O servo de Eliseu, ao acordar de manhã, A P A V O R O U - SE quando viu aquela tropa. Ele não sabia que as colinas estavam cheias de cavalos e carros de fogo para protegerem Eliseu.

Muitas vezes os cristãos se portam como o servo de Eliseu, embora a Bíblia nos garanta que o nosso Deus nos protege. Quantos vivem se encolhendo com medo de demônios, de feitiços, de maldições, de objetos amaldiçoados e até mesmo de pessoas escravizadas pelo Diabo. É como se o poder das trevas fosse maior que o da luz; como se os servos de Deus, santuários vivos do Espírito Santo, fossem ovelhinhas frágeis prontas para serem devoradas pelos lobos do mal.

Meditando sobre assunto, encontrei alguns comportamentos que levam os cristãos a tal situação de derrota. Vocês farão bem se evitarem essas condutas.

Falta de compreensão da autoridade espiritual

Você sabe qual é a diferença entre "poder" e "autoridade"? Quando um policial faz o trânsito parar numa rodovia ele usa poder ou autoridade? Ele tem o poder necessário para fazer um carro parar? Claro que não; só se fosse o Lanterna Verde ou o Superman.

Os carros não param por causa do poder do policial, mas por causa da sua autoridade. Autoridade é poder delegado. O uniforme do policial representa todo o Estado. Ao olhar para o guarda, o motorista vê o Estado. Ele sabe que, se não parar, sofrerá as consequências.

Da mesma forma, você não tem o poder necessário para vencer as forças do inferno. Você é frágil. Assim como o motorista de um veículo poderia facilmente atropelar o guarda, Satanás poderia te destruir. Mas, quando olha para você, ele vê Cristo, contra o qual nada pode. Você não tem poder para vencê-lo, mas tem autoridade:

Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; nada lhes fará dano. (Lucas 10:19)

OK, sei que a última frase do versículo é muito difícil de entender, mas estou aqui para ajudá-lo: "...nada lhes fará dano". Bem..., qual a parte de "N A D A" você não entendeu?

"Nada" é o contrário de "alguma coisa". Jesus não disse: "podem pisar, mas se preparem para as retaliações...". Não disse: "pisem, mas com cuidado", e nem "pisem, mas só quando estiverem preparados".

Quando menino, eu morava perto de uma oficina de automóveis, que ficava na bem na esquina da rua de casa. Quando fechava a oficina, o dono deixava do lado de fora um vira-latas dos grandes, que se considerava o dono da calçada: sempre tentava morder quem passasse em frente. Ele era traiçoeiro: ficava deitado no chão, fingindo dormir. Depois que a gente dobrava a esquina, ele corria e tentava morder nosso tornozelo por trás. Na primeira vez que ele tentou me morder, eu fui pego de surpresa e, assustado, comecei a correr. O "filho do cão" me deu uma carreira daquelas...

Até que um dia eu descobri que o vira-latas tinha medo de pedrada. Então, tudo mudou. Antes de chegar na oficina, eu pegava um pedregulho (ou dois). Passava pelo cachorro tranquilamente e, quando ele avançava, eu virava pra trás e levantava a pedra para atirar. Era o suficiente para que ele parasse e ficasse rosnando. Aí, eu partia pra cima do infeliz correndo com vontade, sempre com a pedra na mão. O vira-latas valentão amarelava e fugia desesperado com medo da pedrada. Eu corria até cansar, só pra ver o desespero do nojento. Confesso que era bom ouvir o seu ganido (hehehe). Então, eu podia chegar em casa tranquilo, de alma lavada.

Satanás é exatamente como esse vira-latas. A pedra é o nome de Jesus. Pode jogar à vontade! Se você não jogar, ele morderá seu tornozelo. Alguns têm medo de jogar pedra nele, por causa das temidas "retaliações". Mas esse temor é um grave erro. Quem tem medo é que sofrerá a dentada no tornozelo. No trato com o Maligno, a melhor estratégia é bater sempre e, de preferência, bater primeiro.

Falta de compreensão do santuário

A Bíblia nos conta a história de alguns homens que tentaram usar o nome de Jesus contra os demônios, mas se deram mal (Atos 19:13-16).

13  Alguns judeus que andavam expulsando espíritos malignos tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre os endemoninhados, dizendo: "Em nome de Jesus, a quem Paulo prega, eu lhes ordeno que saiam!"
14  Os que estavam fazendo isso eram os sete filhos de Ceva, um dos chefes dos sacerdotes dos judeus.
15  Um dia, o espírito maligno lhes respondeu: "Jesus, eu conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são?"
16  Então o endemoninhado saltou sobre eles e os dominou, espancando-os com tamanha violência que eles fugiram da casa nus e feridos.

Isso nos ensina outra lição importante. O Nome de Jesus não é um simples amuleto que qualquer um possa usar para espantar demônios. Só podem falar em Nome de Jesus aqueles que receberam autorização do Senhor para isso. Quando o servo de Deus fala em Nome de Jesus, é Jesus quem está falando e, portanto, os demônios recuam.

Nós somos santuário do Espírito de Jesus. Nosso Senhor morreu e ressuscitou para poder viver em nós. Embora esta seja uma verdade tão tremenda, é comum nos esquecermos dela. Então, quando os "Golias do inferno" começam a se levantar contra nós, nos sentimos pequenos demais para lhes resistir. Esquecemos que somos santuário, local de habitação, do Rei dos Reis.

Os filhos de Ceva não eram santuário do Espírito Santo. Quando os demônios olharam para eles, não viram o Senhor dentro deles e logo perceberam que eles não tinham autoridade para falar em nome de Jesus. Mas, se você realmente é habitado pelo Espírito de Deus, saiba que os demônios vêem Jesus Cristo em você, mesmo que você não sinta isso. Eles vão tentar amedrontá-lo com seu tamanho e suas ameaças, exatamente como Golias fez com Davi. Mas, se você os atacar em nome de Jesus, eles vão fugir: não de você, mas de Jesus em você.

Energia mal canalizada

Tenho visto algo preocupante debaixo do sol: homens e mulheres que gastam muito tempo estudando sobre as estratégias, artimanhas, organização e armas do inferno. Têm a esperança de que esse conhecimento lhes dê vantagem na batalha.

Irmãos, pergunto: será que Eliseu gastava tempo preocupado em estudar as estratégias do Rei da Síria? Será por isso que ele sabia todos os planos do inimigo? Creio que não. Ou será que simplesmente se ocupava em manter seu íntimo relacionamento com Deus?

A Bíblia nos ensina, do início ao fim, que nossa atenção, nosso amor, nossa devoção, nosso tempo, devem ser dedicados ao Amado de nossas almas. Quanto mais próximos estivermos dEle, mais protegidos estaremos. Então, pra que se preocupar com os demônios? Essa verdade é proclamada em tantos lugares da Bíblia que é até difícil escolher um em particular. Mas, vamos tentar.

Alguém do Grupo leia em voz alta o Salmo 63, de Davi. Neste salmo, Davi fala o tempo todo de como ele direciona as suas forças a um único objetivo: buscar a Deus intensamente, contemplá-lO no santuário, avistar-Lhe o poder e a glória, amá-lO. Davi estava no deserto fugindo dos que queriam matá-lo. Entretanto, quando se deitava, ele não pensava nos inimigos que o perseguiam, mas sim em Deus. O verso 8 ensina tudo o que precisamos saber sobre Guerra Espiritual:

8  A minha alma apega-se a ti; a tua mão direita me sustém.

Faça a sua alma apegar-se a Deus e relaxe. A destra do Senhor vai te sustentar. Os seus inimigos serão derrotados.

Esse é o mesmo princípio descrito em Romanos 16:19-20

...mas quero que sejam sábios em relação ao que é bom, e sem malícia em relação ao que é mau. Em breve o Deus da paz esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês...

Para terminar, leiam o conhecido Salmo 91.

Portanto, agarre-se a Deus. Busque com zelo a face do Senhor. Aprenda a permanecer alguns minutos ao dia na presença maravilhosa. Deixe que seus olhos sejam purificados pelo contemplar da luz que emana do trono do Altíssimo, que habita em você. "Quando os seus olhos forem bons, igualmente todo o seu corpo estará cheio de luz" (Lucas 11:34). Então, se Satanás se levantar contra você, volte-se contra ele em Nome de Jesus.

...Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo. (1 Jo 3b:4)

 


Para reflexão

  1. Para evitar problemas com Satanás, certo cristão prefere "não cutucar a onça com vara curta". O que vocẽ acha dessa estratégia?
  2. No meio de uma batalha espiritual, o que é melhor: sentir-se forte ou sentir-se fraco?
  3. Certo dia você vai a uma reunião de oração e alguém lhe diz: "irmão(ã), vigia porque o Inimigo está furioso contra você". Como você reage a esta notícia?
imagem de Flávio Cardoso

Do que você precisa para ser feliz?

Existe algo que me tira do sério: ver como nossas crianças são terrivelmente influenciadas pela propaganda. Inocentes, elas não têm nenhuma capacidade de resistir aos apelos mercadológicos da televisão e da internet. De repente, um tênis de certa marca, sem nenhuma qualidade ortopédica desejável, se torna moda entre a criançada. Pronto: isso é suficiente para que nossos filhos infernizem nossas vidas enquanto não compramos o maldito tênis. Não há nada que possamos dizer ou argumentar para demovê-los dessa obsessão. Sempre que têm uma chance, eles tocam nesse assunto. Você até tenta ter um momento alegre com eles mas, cedo ou tarde, lá vem o pedido. As crianças, por não terem o que querem, se tornam realmente infelizes. Se você perguntar: "filho, do que você precisa para ser feliz?", ele não exitará nem um segundo; dirá: "daquele tênis".

Essa situação me deixa muito triste, porque vejo que sou incapaz de livrar meus filhos dessa infelicidade. Alguns pais, de mente fraca, logo correm para comprar o tênis, achando que estão livrando seus filhos da infelicidade. Ledo engano! Na verdade, estão apenas realimentando o vício. Depois que tiverem o tênis, outras obsessões logo surgirão: a mochila, o casaco, o brinquedo.

O verdadeiro desafio é mostrar às crianças que elas precisam se alegrar com tudo o que já têm. É disso que elas precisam extrair sua felicidade. Elas já têm tudo o que precisam para serem felizes.

A obsessão consumista das crianças é realmente lamentável. Mas não podemos nos esquecer que elas são vítimas; não têm culpa de ser assim. Se as protegêssemos de tanta exposição à propaganda, talvez elas fossem diferentes. Há países que proíbem propaganda destinada ao público com menos de 12 anos. Que sonho seria morar num país assim...

Mas existe um tipo de obsessão que me preocupa bem mais do que essa: a dos crentes caçadores de bênçãos. Você já encontrou, com toda certeza, um irmão assim. Basta uns 5 minutos de conversa, que ele logo te fala de alguma luta terrível que está passando e de como está aguardando a bênção de Deus que porá fim à luta: uma conquista material, uma promoção, uma cura, a conversão de um parente etc. Você até pode tentar falar sobre como Deus é maravilhoso e como o amor dEle é suficiente para te encher de alegria e paz. Mas a conversa logo descambará para a tão sonhada bênção.

Esses cristãos são inquietos e eternamente infelizes, exatamente como as crianças de que eu falava: simplesmente incapazes de se alegrar com o que já têm. Vejam que lástima: homens e mulheres que têm o Espírito de Deus, eterno, todo-poderoso, todo-amoroso, provedor, protetor, habitando no seu corpo, não conseguem extrair nenhuma alegria desse "pequeno" fato. Vivem exatamente da mesma forma que os demais seres humanos perdidos, em busca de conquistas que lhes possam trazer alegrias passageiras.

Imagine a seguinte situação bizarra: num belo dia você chega em casa e vê que o anjo Gabriel está sentado no sofá da sala. Veio do céu para passar uns dias hospedado na sua casa. Diante dessa constatação, você vira pra patroa e diz: "xi, vou ter que voltar à padaria e comprar mais pão". Na padaria, você encontra um irmão da igreja e conversa sobre os problemas da vida, crise econômica, desemprego, inflação, futebol, política. Depois, volta pra casa com o pão.

Quem seria tão esquisito assim, a ponto de ter o anjo Gabriel hospedado em sua casa e, simplesmente, não dar a mínima importância para esse fato? Quem não sairia atônito contando a todos os irmãos? É claro que não haveria nenhum outro assunto mais importante do que esse, não é mesmo?

Pois bem, nós conseguimos ser ainda mais esquisitos. Notem, quem é maior: o anjo Gabriel, ou Deus Todo-Poderoso? Nosso corpo é a casa de Deus. Como podemos ser tão indiferentes a essa verdade? Como podemos nos preocupar tanto com as lutas exteriores, quando temos essa Presença dentro de nós?

Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? (1 Coríntios 6:19)

Houve um homem, na Bíblia, que foi chamado de "O homem segundo o coração de Deus": o rei Davi. Teve uma época muito difícil na vida de Davi, narrada em 2 Samuel 15, quando ele foi obrigado a fugir de Jerusalém humilhado, para não ser morto por seu próprio filho, Absalão, que, com sua astúcia, havia conquistado a confiança da maior parte do povo. Então, Davi, com sua família e servos, fugiu para o deserto de Judá. No deserto, ele escreveu o Salmo 63:

1  Ó Deus, tu és o meu Deus, eu te busco intensamente; a minha alma tem sede de ti! Todo o meu ser anseia por ti, numa terra seca, exausta e sem água.
2  Quero contemplar-te no santuário e avistar o teu poder e a tua glória.
3  O teu amor é melhor do que a vida! Por isso os meus lábios te exaltarão.
4  Eu te bendirei enquanto viver, e em teu nome levantarei as minhas mãos.
5  A minha alma ficará satisfeita como de rico banquete; com lábios jubilosos a minha boca te louvará.
6  Quando me deito lembro-me de ti; penso em ti durante as vigílias da noite.
7  Porque és a minha ajuda, canto de alegria à sombra das tuas asas.
8  A minha alma apega-se a ti; a tua mão direita me sustém.
9  Aqueles, porém, que querem matar-me serão destruídos; descerão às profundezas da terra.
10  Serão entregues à espada e devorados por chacais.
11 Mas o rei se alegrará em Deus; todos os que juram pelo nome de Deus o louvarão, mas as bocas dos mentirosos serão tapadas.

Dá pra perceber por que Davi foi o homem segundo o coração de Deus?


Para reflexão nos grupos

  1. No Salmo 63, o rei Davi mencionou, em alguns versos, suas lutas exteriores. Em quantos versos? Eles estão no início ou no final do salmo? O que isso indica?
  2. Considerando que o seu corpo é o santuário do Espírito Santo, como você interpreta Sl 63:2? Você consegue abrir os olhos do seu coração e contemplar o poder e a glória de Deus? Sugestão: releia o texto "O bronzeamento da alma", porém considerando que o Sol, que é Deus, está dentro de você.
  3. No Sl 63:3, Davi diz: "O teu amor é melhor do que a vida!...". Será que ele exagerou? Você tem experimentado sobrenaturalmente o amor de Deus em sua vida? Não me refiro a deduzir que Deus te ama com base em tudo o que Ele faz por você. Refiro-me à sensação de ser envolvido, ainda que por alguns minutos no dia, pelo amor de Deus.
ansiedade

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