
Texto de A. W. Tozer
É UM OBJETO batido do conhecimento geral que a raça humana perdeu a simetria e tende a desequilibrar-se em quase tudo que ela é e faz. Filósofos religiosos têm reconhecido esta assimetria e têm procurado corrigi-la pregando de uma forma ou doutra a doutrina do "meio de ouro". Confúcio ensinou o "caminho médio"; Buda queria que os seus seguidores evitassem tanto o asceticismo como o ócio corporal; Aristóteles acreditava que a vida virtuosa é a que mantém equilíbrio perfeito entre o excesso e a falta.
O cristianismo, estando de pleno acrodo com todos os fatos da existência, leva em conta este desequilíbrio da vida humana, e o remédio que oferece não é uma nova filosofia, mas uma nova vida. O ideal a que o cristão aspira não é andar pelo caminho perfeito, mas ser transformado pela renovação da sua mente e ser amoldado à semelhança de Cristo.
O homem regenerado muitas vezes passa por tempos mais difíceis do que o não regenerado, porquanto ele não é um homem somente, mas dois. Sente dentro de si um poder que tende para a santidade e para Deus, enquanto ao mesmo tempo ainda é filho da carne de Adão, filho do barro vermelho. Para ele, este dualismo moral é uma fonte de aflição e de luta que o homem que só nasceu uma vez desconhece totalmente. Por certo a crítica clássica a isto é o testemunho de Paulo no capítulo sete da sua Epístola aos Romanos.
O cristão verdadeiro é um santo em embrião. Os genes celestiais estão nele, e o Espírito Santo está trabalhando para levá-lo a um desenvolvimento espiritual que esteja em harmonia com a natureza do Pai Celeste, de quem ele recebeu o depósito da vida divina. Todavia, aqui está ele neste corpo mortal, sujeito a fraqueza e tentação, e seu conflito com a carne às vezes o leva a praticar coisas extremas. "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer" (Gálatas 5:17).
A obra do Espírito no coração humano não é algo inconsciente ou automático. A vontade e a inteligência humanas precisam render-se às benignas intenções de Deus e com elas cooperar. Creio que é aqui que muitos de nós perdem o rumo. Ou tentamos fazer-nos santos por nós mesmos, e falhamos miseravelmente, como certamente haverá de ocorrer; ou procuramos conseguir um estado de passividade espiritual e esperar que Deus aperfeiçoe as nossas naturezas em santidade, como alguém que se senta e espera um pintarroxo sair da casca do ovo ou uma roseira espocar em flores. Assim, trabalhamos febrilmente para fazer o impossível, ou não fazemos absolutamente nada; e aí jaz a assimetria sobre a qual escrevo.
O Novo Testamento desconhece qualquer obra do Espírito Santo em nós isolada das nossas respostas morais. Vigilância, oração, disciplina pessoal e inteligente aquiescência aos propósitos de Deus são indispensáveis para que haja algum real progresso em santidade.
Existem áreas em nossas vidas nas quais, em nosso esforço para estarmos certos, podemos errar, e errar tanto, a ponto de chegarmos a uma deformidade espiritual. Para ser específico, permita-me mencionar algumas:
Estes são apenas uns poucos exemplos de grave desequilíbrio na vida cristã. Confio em que o remédio foi sugerido no caminho que já seguimos.
Com base neste belo texto de A. W. Tozer, reflita juntamente com seus irmãos sobre as questões abaixo (e também sobre outras que você pode criar)
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