
Em nossa última reflexão, abordamos o tema das promessas de Deus para nós. Fizemos uma diferenciação entre "promessas específicas" e "promessas gerais". As específicas, tratadas na meditação anterior, são aquelas que se referem a algo que Deus diz para certa(s) pessoa(s) em particular. Por exemplo, Deus disse a Abrão que Sarai iria dar à luz um filho. Essa promessa era apenas para Abrão e sua família; não para qualquer um de nós.
Agora, vamos refletir um pouco sobre o que chamamos de "promessas gerais". Em nossa opinião, tais promessas são muito mais frequentes e importantes do que as específicas. Mas, apesar disso, normalmente as pessoas não lhes dão a importância devida.
Primeiramente, deixem-me definir o que entendo por "promessas gerais". Promessas gerais são aquelas direcionadas a todos os que estão em Cristo. Nessa reflexão, vou separá-las em "Promessas propriamente ditas" e "Declarações de Deus a nosso respeito".
Esse tipo de promessa não precisa ser definido. Basta que vejamos alguns exemplos nas Escrituras:
Os textos negritados acima se referem a promessas de Deus para todos os seus filhos amados. Precisamos nos apegar a cada uma delas e esperar pacientemente pelo seu cumprimento. E, enquanto esperamos, nos alegramos por termos a certeza de que nenhuma palavra do Senhor cairá por terra. Enquanto esperamos, prosseguimos, serenos, na caminhada da nossa vida, fazendo a vontade de Deus e glorificando-o com nossas ações. Não há motivo para dúvida ou desespero. O cumprimento da promessa até pode tardar, mas não falhará.
A Bíblia declara muitas coisas a nosso respeito. Por exemplo, ela afirma que aqueles que estão em Cristo fazem parte da nova criação; para tais pessoas, as coisas velhas passaram e tudo se fez novo (2 Coríntios 5:17). Nós costumamos celebrar esse tipo de verdade em verso e prosa.
O problema é que há muitas afirmações bíblicas a nosso respeito que nós não vemos cumpridas em nossas vidas. Por exemplo, você está todo contente lendo a carta de Paulo aos Gálatas e, de repente, se depara com esse verso:
"Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos." (Gálatas 5:24)
Não me lembro de cantarmos nenhum cântico celebrando essa afirmação bíblica. A razão é simples: a maior parte dos crentes reconhece que não vive assim. Ao se depararem com uma declaração dessas, eles ficam confusos. Por um lado, eles consideram que pertencem a Cristo. Mas, por outro lado, não acham que já crucificaram a sua carne, com suas paixões e desejos.
O problema é que não entendemos que esse tipo de afirmação é semelhante a uma promessa de Deus para nós, da qual precisamos tomar posse pela fé. Essas declarações só se tornam verdade, para nós, quando passamos a crer nelas.
Quando nós queremos produzir algo, o que nós fazemos? Ora, nós trabalhamos, não é mesmo? Nos dedicamos com afinco para que esse algo venha a existir: uma obra de arte, um relatório, ou um texto como esse.
Mas Deus não age assim. Quando Ele quer trazer algo a existência, o que Ele faz? A Bíblia nos responde:
"Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível." (Hebreus 11:3)
Entendeu? Quando Deus quis que a luz existisse, ele disse: "Haja luz!". Por meio da sua Palavra, Deus traz as coisas à existência.
E mais: há ocasiões em que Deus traz coisas à existência simplesmente afirmando que essas coisas já existem. Nesses casos, cabe a nós crermos na Palavra de Deus, para que elas realmente se manifestem. Se Ele diz que já existe, então já existe para Ele, mesmo que ainda não vejamos. E logo existirá também para nós.
Houve um dia em que Deus olhou para o velho Abrão, que ainda não tinha nenhum filho, e disse: "Eu o constituí pai de muitas nações" (Gênesis 17:5). Paulo, falando exatamente acerca desse episódio, explica que Deus "chama à existência coisas que não existem, como se existissem" (Romanos 4:17). Deus chamou à existência a paternidade de Abrão, simplesmente afirmando que Abrão já era pai. E o apóstolo atribuiu grande importância ao comportamento de Abrão diante das palavras de Deus, aparentemente absurdas:
"Abraão, contra toda esperança, em esperança creu, tornando-se assim pai de muitas nações, como foi dito a seu respeito: 'Assim será a sua descendência'." (Romanos 4:18)
Portanto, amado irmão, se a Bíblia afirma que você crucificou a carne, com suas paixões e cobiças, então isso é verdade. Considere isso como verdade, mesmo que ainda não consiga vivê-la. Declare essa verdade repetidamente, em oração, crendo, várias vezes ao dia. A fé é o catalizador que consegue transformar essas declarações em vida.
"Então Jesus disse ao centurião: "Vá! Como você creu, assim lhe acontecerá! " Na mesma hora o seu servo foi curado." (Mateus 8:13)
Não se acanhe diante das afirmações de Deus a seu respeito. Aproprie-se delas, pela fé, e o próprio Deus, que habita em você, fará você experimentar essas verdades na sua vida. Note que são muitas:
Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo. (João 14:27)
Então, se você está angustiado, o que precisa fazer é se apropriar do que Jesus disse: você tem a paz de Cristo.
Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge. (1 João 5:18)
Muitos são os cristãos que têm sido atingidos por Satanás. Talvez o que lhes falte seja apropriarem-se da verdade declarada por Deus: o Maligno não os atinge.
Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna. (Romanos 6:22)
Acredite, meu irmão: vencer o pecado é possível. Aliás, é necessário. Mas você não vai conseguir fazer isso por suas próprias forças. Ao contrário, aproprie-se do que Deus já disse a seu respeito. Você foi libertado do pecado e se tornou um escravo da justiça.
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. (João 10:27)
Infelizmente, a esmagadora maioria dos cristãos simplesmente não segue a voz de Jesus, porque não consegue escutá-lo. São crentes que nunca crescem; permanecem sempre como bebês espirituais, dependendo da palavra dos pastores ou dos profetas. Precisam urgentemente se apropriar do que Jesus já disse a seu respeito. Creia que você ouve a voz do Senhor e logo começará a ouvi-lo.
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